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Veleiro Kanaloa
Caribe Venezuelano
19 August 2010 | Venezuela
Depois de muito tempo trabalhando no barco, na Venezuela, conseguimos aprontar quase tudo e partimos dia 02 de maio.
Fizemos nossa saída na Imigração com destino às BVI, Ilhas Virgens Britânicas.
Fomos antes direto para uma ancoragem na Ilha Chimana Segunda, distante apenas 6 milhas da Marina, a fim de ajustar os equipamentos e regular o piloto automático.
No mesmo dia zarpamos para Isla Blanquilla, na rota para as BVI, ainda na Venezuela. Na manhã seguinte lançamos âncora em frente à praia das duas únicas palmeiras da ilha. Já havíamos estado lá antes.
Praias brancas, muito peixe e lagostas, assim com tamarindo num mato cheio de cactus. O embate do mar em suas costas provocaram erosões formando algumas cavernas onde, com o mar calmo, pudemos entrar com o caíque. Numa delas encontramos 3 tubarões nadando calmamente. A erosão também formou pelo menos dois belos arcos, um deles totalmente navegável, sob ele. Num outro ponto, uma pequena e belíssima baía também se abre, após a passagem de um estreito, deixando a mostra praias e mais cavernas. Nessa baiazinha é possível ingressar com o veleiro, mas é tão pequena e as águas tão transparentes que é condenável entrar e poluir toda essa beleza.
Tivemos a companhia constante de um casal argentino que já estava lá há uma semana e era a terceira visita deles à ilha. Prometemos que iríamos assistir juntos à final da Copa do Mundo, que seria segundo nossos desejos, entre Brasil e Argentina. Deu no que deu, infelizmente, nem nós nem, felizmente, eles.
Os pescadores sempre passavam para um escambo de peixe ou lagosta por cigarro, rum ou cachaça.
Permanecemos na ilha durante 21 dias.
A água potável, dos tanques, já estava à menos da metade e tínhamos muito pela frente, ainda.
Os ventos contrários nos fizeram repensar e, enfim, desistimos de seguir até as BVI.
Ao invés de seguir para o norte, decidimos pelo oeste. Esperamos por um vento um pouco mais forte e zarpamos. Armamos somente a genoa. Tudo favorável: vento, rumo, correnteza, e ondas. A lua cheia já estava quase a toda. Mais uma noite navegando e atingimos o arquipélago de Los Roques.
Los Roques é uma formação vulcânica, com muito coral e muito mangue. ^ um parque nacional da Venezuela, ainda Venezuela.
Gran Roque é a única ilha habitada do arquipélago. Pista de pouso de aviões regionais, 2 mercadinhos, açougue, quitanda, padaria, várias pousadas, algumas lojinhas que se abrem quando há avião para decolar ou pousar. Na maré cheia, e de sizígia, a água chega aos pneus dos aviões. Alguns "piñeros", barcos de madeira de 10 a 12 metros, de proa alta e sem cabina, com dois grandes motores de popa, conduzem os turistas pelas diversas ilhas do arquipélago.
Oficialmente já deveríamos estar fora da Venezuela há 25 dias atrás, por isso, fundeamos um pouco mais longe.
No dia seguinte, antes que desembarcássemos na ilha, apareceu a ... Guarda Costeira mandando-nos sair do local, pois iriam chegar grandes navios veleiros escola e que iriam fundear onde estávamos. Teríamos que sair imediatamente, e que fundeássemos na Ilha Francisqui. Aliviados pelo motivo que não a vistoria, e não a expulsão que achávamos iminente, suspendemos o ferro e falamos um para o outro, - então tá. O passe para Francisqui estava diferente do que o guia indicava. O furacão Omar, ainda que tenha passado distante dali se encarregou de mudar um pouco a geografia local.
Um dos 8 grandes navios veleiros a chegar em Los Roques, ouvimos pelo rádio, era, por felicidade, nosso Cisne Branco, o belíssimo três mastros da Marinha Brasileira. No dia seguinte fomos fazer mais uma visita a ele.
Depois de alguns dias em Francisqui, seguimos até a Ilha Sarquis onde presenciamos uma espetacular revoada de flamingos durante uma de nossas caminhadas. Ficamos travados olhando. Quando me lembrei de registrar em foto eles já estavam longe, que muito pouco saíram na foto.
Na Ilha de Crasqui encontramos um casal de ingleses, nossos amigos. Passamos a navegar mais ou menos juntos.
Em Blanquilla, dias atrás, cedêramos alguns galões de água aos argentinos e, a partir daqui, esse casal passou a fornecer água para nós, dia sim, dia não. Assim, pudemos manter uma boa reserva, que esperávamos durar até chegar à Bonaire.
Desta forma, podendo prolongar nossa permanência em Los Roques aproveitamos as Ilhas de Carenero e a seguir Cayo de Água. Cayo de Água é, certamente, o mais belo conjunto de ilhas de Gran Roque. Tem também uma das mais belas praias por onde já passamos.
De Los Roques, ao próximo arquipélago, o de Aves de Barlavento, em poucas horas de navegação já estávamos lá.
Nossa flotilha já era composta do brasileiro Kanaloa, do inglês Samarang, do francês Imagine, que havíamos ajudado a entrar num apertado passe, do holandês Jonathan e do argentino que vez por outra encontrávamos. A língua comum passou a ser o espanhol.
Procuramos não ancorar muito junto ao mangue e às árvores. Um indesejável bombardeio de guano não deixaria nosso veleiro muito cheiroso. Aves de Barlavento faz juz ao nome.
Num dos passeios, passando por entre as árvores, que se projetam para o mar, conseguimos chegar a uma minúscula praia de quase 2 metros de comprimento. Continuamos sob as árvores e seguimos a pé até um memorial dos barcos que por lá passaram. Alguns deixam suas lembranças. Numa pequena pedra ou madeira inscrevem o nome de sua embarcação e tripulantes e algumas vezes uma mensagem. Nossos amigos do cat Beduína, que já se encontra na Nova Zelândia, deixaram a sua. Um vidro com tampa também guarda algumas folhas de papel e um lápis, para uma inscrição de última hora.
Em Aves de Barlavento ninguém estava preocupado com vistoria da Guarda Costeira, pois não há posto.
Já em Aves de Sotavento, o próximo arquipélago, teríamos que passar bem em frente a eles. Eles nos viram, pois começaram a chamar via rádio. Todos deram uma de Joâo-Sem-Braço. Ninguem respondeu. Até que o francês passou a responder. Seu espanhol ficou meio confuso no rádio e eles perguntavam uma coisa e ele respondia outra. De qualquer forma, a comunicação pareceu cordial e deram a entender que deveríamos fundear em frente ao posto deles. Realmente, foram muito cordiais, liberaram-nos rapidamente, mesmo tendo observado que já deveríamos ter saído há mais de um mês. Disseram que poderíamos ficar por lá sem problema e nem prazo nos deram para sair. Disseram que estavam de serviço por lá já há mais de 50 dias e que não tinham mais cebola e óleo para temperar. Claro que todos os veleiros fizeram uma pequena cesta de mantimentos.
A ancoragem nesse arquipélago deve ser feita com cuidado para lançar âncora onde houvesse um caminho de areia. O objetivo é evitar os corais e não destruir aquilo que a natureza levou milhares de anos para construir.
Todos os ancoradouros devem ser atingidos com uma navegação bastante cuidadosa. Os corais ou as rochas não estão algumas vezes exatamente onde mostram as cartas, mesmo os guias mais recentes têm erros.
Os melhores ancoradouros ficam a sotavento das ilhas, assim, nos dirigimos para ancorar com o vento pela proa e voltados para leste, praticamente. Essa é uma das razões do porque tentarmos chegar ao início da tarde. Desta forma, temos o sol ou quase a pino ou pelas costas. Pelas tonalidades das águas fica mais fácil calcular as profundidades. Além disso, sempre mandamos fazer nossos óculos, mesmo com correção, com lentes polarizadas. As tonalidades ficam melhor definidas com eles.